
Não foi fazendo uma enorme distinção entre tempo de trabalho e tempo para a família que cheguei a ocupar a posição de primeiro homem em empresas, geralmente isso acontece a um preço pessoal que não é baixo. Mas a situação mudou bastante nos últimos anos. Como disse, não sei qual muro cai primeiro, o de Berlim, algo que assustou o mundo por anos, ou esse. O que é levar trabalho para casa quando se está conectado quase 24 horas por dia?
Lucy Kellaway escreve no Financial Times sobre a divisão da intimidade no ambiente de trabalho, como as pessoas fazem cada vez mais coisas pessoais no escritório. Na visão quase caricata, a única coisa que diminuiu num escritório foi o tempo dedicado ao trabalho, à vida pessoal, esse aumentou bastante. As refeições ficaram mais frequentes, antes só pedíamos pizza no escritório quando varávamos a noite fazendo os ajustes dos planos econômicos. Hoje pessoas chegam até para tomar café da manhã.
Talvez por sentirem-se invadidas na sua vida pessoal, trabalhando de casa ou celular, muitos também sentem-se livres para tratar de assuntos pessoais no ambiente corporativo, sim, a fronteira ficou muito complexa, mas é preciso muito bom senso, seus colegas não precisam e não podem saber de toda a sua vida. Aliás, a exposição desses assuntos também acontece no mundo digital. Quantos não agregam em seus perfis em sites sociais informações da empresa? As vezes a coisa fica feia, há uma confusão grande, vale lembrar do episódio do gerente de marketing falando mal do time patrocinado pela empresa.
Acredito que é preciso sim tirar o máximo da tecnologia, encontrar formas de não se perder um dos ativos mais valiosos que temos, o tempo, em congestionamentos nas grandes cidades. Também é importante ninguém abrir mão completamente de seus papéis familiares, a equação cruel, muitas vezes mais cruel ainda para as mulheres, mas é fundamental encaixar um ritmo e um estilo de trabalho nesse novo ambiente, cada vez mais sem paredes e dependente do que se passa na tela do computador ou de outros gadgets pessoais. Os códigos de comportamento e vestimenta são muito mais flexíveis, mas ainda acho que é preciso não desligar o bom senso, por isso, o mais fácil é encontrar uma empresa que tenhas seus valores corporativos em sintonia com os seus pessoais.

Se alguma coisa mudou na tal questão do paraquedas dourado foi apenas a grafia na Língua Portuguesa, antes pára-quedas, agora ainda mais simples, paraquedas.
Não sabe do que estou falando? Refiro-me aos pacotes de saída de grandes executivos, demitidos por questões éticas ou então operacionais. A discussão da vez é sobre os nomes de Mark Hurd, ex-CEO da HP, e Tony Hayward, ex-CEO da BP, por coincidência duas empresas que transformaram suas marcas em acrônimos de duas letras terminadas em P.
Um caiu por questões operacionais, mediu errado os riscos e colocou a empresa num dos maiores escândalos da história dos negócios recentes, tipo da besteira na hora errada e, correndo o risco de ser politicamente incorreto, no lugar errado, porque infelizmente acredito que se o vazamento fosse numa região menos privilegiada, o barulho teria sido muito menor, mas foi nos Estados Unidos, na praia do Obama… Caiu, deixou uma multa bilionária mas saiu com um cheque de 17 milhões de dólares.
Já Mark Hurd estava administrando a HP com sucesso e se meteu numa encrenca com uma consultora de marketing da empresa, algo que poderia ser visto como pessoal, até poderia, mas nas investigações, pequenos detalhes de prestação de contas apareceram. Caiu e levou o que a imprensa americana está calculando como o décimo nono maior paraquedas dourado, um cheque de 35 milhões de dólares (não é cheque, em nenhum dos casos porque é uma combinação de dinheiro e ações).
São momentos complexos, para os executivos e para os membros do conselho. Mas são momentos importantes de serem avaliados para se evitar o erro futuro. Para o público é difícil entender que além de tudo o executivo ainda tem uma compensação. São posições de risco, mas toda a questão da remuneração de executivos ainda será muito discutida. Nem parece que fazem apenas 3 anos que começou uma das maiores crises do sistema capitalista, parecia que muito ia ser revisto, as coisas aparentemente voltaram ao normal antes de mudanças mais profundas. Isso pode não ser positivo, não estou aqui pregando crises, mas é no calor e nas dificuldades dos piores momentos em que se é possível chegar a novas posições que balancem o status quo. A questão da remuneração segue sendo um desafio no equilíbrio entre atrair e manter os principais talentos, aqueles capazes de produzir retorno x criar uma compensação justa e equânime entre as várias posições dentro da empresa e os equivalentes no mercado.
Ter uma vida longa e ainda integral é um desafio para o qual a enorme maioria dos humanos não põe preço, quem pode, paga o quanto se pede. Mas já que brinquei com a imagem do Parmalat Longa Vida Integral, brinco também com o Mastercard, mas isso, não tem preço…
O site Daily Beast fez uma junção de 15 coisas que ajudam, vale dar uma olhada, sabe aquelas “simpatias” que todo mundo faz? Tipo entrar com o pé direito para uma reunião importante, é mais ou menos isso, mas todas tem pelo menos uma pesquisa científica comprovando, se quiser ler no original, clique aqui, neste blog resumo as 7 primeiras:
1) Quem tem um emprego vive mais que um desempregado:
Segundo o pesquisador Daniel Sullivan, perder o emprego aumenta entre 15 3 20% as chances de você morrer nos próximos 20 anos. Se nas condições econômicas pouco se pode fazer, não é melhor dar uma ralada extra?
2) Casados vivem mais que solteiros:
Fritjers encontrou que pessoas casadas tem expectativa de vida 15% maior do que solteiros e vivem em média, 1,17 anos a mais. Aí, cada um sabe o que faz com seu relacionamento…
3) Mulheres casadas com homens de sua idade vivem mais do que as que casam com mais jovens:
Para Sven Drefhal mulheres casadas com homens entre 7 e 9 anos a menos são obrigadas a não apenas suportar algumas piadinhas, como também um aumento de 20% no risco de mortalidade.
4) Não durma muito, além de descansar, você pode morrer!:
Isso mesmo, dormir muito também aumenta a probabilidade de morrer. O ideal é não ficar menos do que 4 horas e meia na cama e nem mais do que 8 horas e meia. Quem dorme essas 8,5 horas tem 15% mais chance de morrer do que o recomendável de, pelo menos pela pesquisa de Daniel Kripke, 7 horas.
5) Ter a cintura fina garante mais tempo de vida do que a cintura grossa:
Annemarie Koste encontrou que não é apenas uma questão de gordura, o risco à saúde tem também a ver com o formato do corpo. Homens ideais tem uma cintura de 91,5 cm, mulheres ideais, 76,2 (definidos como padrão normal). Já homens com cintura igual ou superior a 101,6 cm ou mulheres acima de 88,9 vêem seu risco de vida aumentar em 25%, mas cuidado, antes de entrar na zona de risco de vida, há a zona de risco do relacionamento…
6) Otimistas vivem mais do que os pessimistas:
Erik Giltay encontrou que os otimistas tem um risco 55% menos de morte do que os pessimistas. Quanto se pensa apenas em doenças cardíacas, pensar positivo reduz a chance de problemas em 23%
7) Quem se mexe vive mais do que quem fica sentado:
Katrien Wijndaele descobriu que não é apenas uma vida ativa que melhora, o grande inimigo é ficar sentado muito tempo. O limite máximo seriam 3 horas por dia. Quem fica mais de 8 horas sentado aumenta em 18% o risco de morte. Ou seja, para que tanta reuniões? Ou então, não é melhor ir até a mesa da pessoa do que ficar esperando comodamente chegarem até você? Se a carga de trabalho estive excessiva, não conseguir encontrar um tempo para uma fuga até a academia, levante e dê uma alongada, não é ideal, mas alivia, não só o corpo, como também a consciência.
Como disse, vale dar uma olhada na lista completa. O que isso tem a ver com o trabalho? Tudo. Uma equipe capaz de correr atrás de seus grandes desafios precisa estar com a saúde e o estado de espírito em ordem. Olhar para essa lista funciona quase que como um check-up geral.
O iPhone 4 e seu sucesso avassalador levaram Steve Jobs a lembrar, sempre um tombinho ajuda, que não são perfeitos. Tenho curiosidade de saber como é o dia-a-dia na Apple, foram muitos acertos, uma maré das mais positivas, capaz de mexer com o ego de qualquer um.
Agora, a possibilidade de um recall pela frente, se não sair, no mínimo, um abalo na imagem do sempre acertar tudo, talvez uma paciência a mais nos consumidores antes de se lançarem às filas para comprar a próxima novidade. Existe uma história que gosto muito, bastante explorada, mas que resolvi incluir no meu livro, é aquela do escravo que seguia embaixo do general vitorioso a se mostrar ao público. Seu papel era exclusivamente dizer: Lembra-te que és mortal. É fácil perder a conexão. Já experimentei alguns momentos na vida executiva onde é mais difícil manter o centro. Hotéis, carros, restaurantes, tudo passa, tudo muda diante de um erro. O perfeito não existe, inclusive para graça e “saudabilidade” da espécie. Para que todos tenham vez.
Não podia deixar de fazer uma pequena homenagem à Espanha. Fez poucos gols, mas não se recusou a jogar futebol, não se escondeu atrás de objetivos supostamente vitoriosos, foi lá e pegou a taça para si.
Morreu ontem o grande responsável pela revolução que aconteceu no ex-tradicional mercado de relógios, o suíço de origem e nascimento no Líbano, Nicolas Hayek. aparecia sempre com dois relógios em cada pulso, sinalizando a idéia de vários modelos, da combinação com a roupa, ou até mesmo estado de espírito.
Considero o case dos relógios suíços um dos melhores exemplos de inovação criativa. De ação do homem diante da derrocada de um mercado tradicional. A soberania suíça, num dos mercados mais cativos, foi quase dilacerada pela perseverança e objetividade japonesa, e eis que o conceito da Swatch apareceu, reacordou uma indústria e expandiu-se dela, entrando no mundo da moda, um posicionamento que poucas empresas conseguem ter. De lá, dá para se aprender muito e essa é uma homenagem das mais válidas. Ah, é claro que o Swatch Group tem também algumas marcas tradicionais, como a Omega, por exemplo. Marketeiros, olho para esta fonte!


Quem já teve o prazer de visitar a Tate Modern em Londres deve ter passado pela sala dedicada ao pintor Mark Rothko. Se não o fez, na próxima não perca. Lá estão inclusive algumas obras, além da destacada acima, encomendadas para um restaurante em Nova York que não sei bem a razão, não deu certo, nobre destino. A obra de Rothko é de uma beleza grande, capaz de te colocar olhando para as sutilezas das cores, por minutos. Imagino que existam entendidos de arte que possam passar horas. É subjetivo, não fala direto com a razão humana.
Não tenho nada contra isso, quem leu meu livro Sonhar acordado lembra que falo de intuição, de ebulição interna como indicador de caminhos a tomar, não são coisas racionais. Mas nas paredes da Tate, de outros museus ou das casas, nada contra. O que acho complexo é no mundo dos negócios, ainda mais quando se trata de coisas subjetivas, neste formal universo, intangíveis.
Para ser mais claro, falo das marcas mais valiosas do Brasil. Três consultorias divulgaram os seus rankings nos últimos dias: BrandAnalytics, Brand Finance e Interbrand, utilizei o critério alfabético. Eu já havia notado a diferença, hoje o grande Clayton Netz fez a observação e ouviu os três presidentes. Uma das respostas foi componentes intangíveis: força da marca e projeção de lucro futuro. Mas o resultado não é expresso em bilhões? Existe algo menos subjetivo do que dinheiro?
Pelo menos elas “combinaram” que as marcas são as mesmas: Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Petrobrás. A questão é que cada uma aponta uma marca. Olhando de fora e sem avaliação formal, concluo que o Banco do Brasil deve valer mesmo 11 bilhões de reais (a divergência entre as consultorias não passa de 600 milhões de reais…). Já Bradesco, Itaú e Petrobrás tem uma divergência muito grande, espero que não sejam clientes dessas empresas.
Vejamos: a BrandAnalytics foi de Petrobrás e para ela, a petroleira vale 19,2 bi, 1,98 vezes Brand Finance e 1,78 vezes Interbrand.
A Brand Finance foi de Bradesco que para ela vale 23,1 bi, 1,56 vezes Brand Analytics e 1,88 vezes a Interbrand.
Esta por sua vez foi de Itaú, 20,6 bi, 1,56 vezes a Brand Analytics e 1,72 vezes a Brand Finance.
Já estão longe os meus tempos de doutorado em matemática, mas desconfio que não teria obtido o meu PhD se chegasse a resultados tão discrepantes quanto esses. Provavelmente eles se conhecem e já devem até ter trabalhado juntos, seria a hora de um encontro de concorrentes para o bem da credibilidade da metodologia?
Um autor é um sujeito vaidoso, qualquer autor, quem disser que não, ou teve o livro publicado por acaso, ou está mentindo. Trocando informações com uma leitora deste blog, a partir de um comentário feito, obtive uma resposta que considero inspiradora e tomei a liberdade de reproduzir aqui, como um exemplo da teoria por mim defendida, da necessidade de sonhar. Aproveito e divulgo o blog da leitora. Achei interessante a maneira como ela coloca o sonho e as ações para concretização:
Sonhei morar na França e realizei. Primeiro, a curto prazo aprendi francês e depois cheguei no sonho de médio prazo. Ai, voltando para o Brasil, “sonhei” não perder a fluência e me tornei tradutora de francês, naquilo que amo: o cinema.
Com o “free” na Versátil Home Vídeo eu contemplo este sonho, o da fluência e ainda complemento um outro: viajar pelo menos uma vez por ano.
No ano passado sonhei passar meu aniversário num castelo, no Val de la Loire e passei em Chambord… ou seja, o sonho para mim é aquele realizável.
Não vou sonhar ter um iate, porque não terei e nem gosto tanto assim de mar!
Acredito que melhor coisa que se pode dar às pessoas é a cultura. Sou apaixonada pela pintura, escultura, cinema, literatura. E sobretudo não acredito em conhecimento que morre com a pessoa, desperdiçado, não compartilhado.
Portanto, sonhei divulgar a cultura e ai, pronto! No ano passado lancei um Blog. Nele, em uma matéria: como aproveitar o tempo, conto alguns dos meus sonhos… leia! www.mundodececi.com
O que eu estou fazendo para realizá-los: o Blog é um passo, escrever continuamente é outro, depois e depois…outros sonhos serão alcançados como parte de um sonho maior, mais distante…
Resumindo: sonho compartilhar o que sei e gosto com pessoas que talvez nunca olhassem para o que eu olho e a realização do sonho é quando uma destas pessoas me escreve que adorou o que leu, que não sabia isto ou aquilo…
Eia aí uma corrente positiva. Alguém mais se habilita a dizer com o que anda sonhando?

O garoto da esquerda sonhava mudar o mundo, berrava com todos e acabou demitido da própria empresa que fundou. O homem da direita, chamado de volta para a empresa, continua gritando com muitos, mas seguiu seus instintos e depois de quase se ver extinto, sobreviveu a doença para ver sua maçã passar a janelinha do Gates.
Dois gênios de uma mesma geração, um acostumou a ganhar, o outro a ser o perdedor bacana, depois de décadas, parece que a coisa mudou. Não dá para dizer que quem ri por último, ri melhor, porque estamos longe do final, mas que dá para dizer que tem um monte de gente de jeans, camiseta e tênis rindo dos engravatados, há isso tem. Ou seja, o mundo do design parece que ainda consegue competir com a planilha dos números e toda a funcionalidade e recursos. Parece que a simplicidade se impôs, a beleza do traço sobre a beleza da potência, a intuição ganhando espaço da técnica. O melhor é que os dois mundos se conversem, aí sim, teremos uma sociedade mais completa.
Jobs e Gates se completam, formaram exércitos concorrentes, mas fazem parte da mesma turma, basta que um lado consiga enxergar que tem também o outro. Agora é a vez de Jobs surfar, os descolados vão colocar os nerds para trabalhar para eles?
O mais incrível é que tem analista sério e competente que previu a morte da Apple. E nem estou falando de alguns mal intencionados que manipulam relatórios de acordo com interesse de suas posições.
No dia que a Apple passa a Microsoft em seu valor de bolsa, é impossível comprar um iPad em Nova York, sold out. Talvez Jobs esteja rindo e pensando que mais do que ninguém sabe o quanto é preciso sonhar e persistir, mesmo que digam que você está errado, ele, não estava…
A Ivana do blog Geração X, Y… Comunicação de Gerações passou por aqui e viu uma boa oportunidade de divulgar o que fazem, clique aqui.
Como digo no Sonhar acordado, procurei sempre ficar perto dos jovens, principalmente como fonte de aprendizado. Às vezes eles requerem paciência, não sabem nem de longe tudo que acham que sabem, mas tem uma energia e alguns, uma vontade de aprender, incrível.
Não custa lembrar que também escrevi o livro pensando neles. Principalmente que sempre é bom lembrar que ganhar dinheiro e ser bem-sucedido, tem um preço razoável, muito trabalho.
Eis um novo livro sobre o mundo do Venture Capital. Um mundo desconhecido até bem pouco tempo no Brasil, apesar de termos alguns guerreiros antigos, o panorama econômico do país pouco permitia a formação destes fundos. Hoje a realidade é outra. E melhor, os profissionais desses fundos dão as caras, aparecem na mídia, começam a explicar como operam.
Ainda são dezenas os casos de empresas que receberam investimentos de fundo e depois abriram seu capital na Bovespa, daqui a pouco serão centenas, e o movimento tende a crescer, em conjunto com a economia brasileira. Mas já são centenas, talvez milhares os casos de fundos que encontram saída na venda para outros fundos ou então para outras empresas.
A deficiência maior no país é de anjos, VCs com bolso e ambição menor, pessoas físicas, onde o investimento é menor e o risco maior, mas já está na hora de alguém lançar um livro da cabeça do VC brasileiro, alguém que ficou reprimido e impedido de atuar por tanto tempo. Quem se habilita???