Uma marca e seus consumidores

Postado em: 13 de abril de 2010 - 12:24

post 4.4 nike

Uma vez um amigo contou que o consultor Oscar Motomura da empresa de treinamento e desenvolvimento Amana-Key entregava ou entrega, ao final dos cursos uma bolsa com vários livros cujos temas foram discutidos ou estão relacionados ao que acha que os executivos devem refletir. Na bolsa não há nenhum logotipo da empresa por uma simples razão: nunca se sabe os caminhos que um brinde pode tomar e eles discutiram e optaram por não correr riscos de ver o logo da empresa em situações complicadas.

No último post discuti sobre a questão do Tiger Woods, depois observei na imprensa que, devido a facilidade do anúncio, circularam no YouTube várias versões com outras vozes, algumas mais maldosas, com simulações das vozes das supostas causadoras dos problemas com a esposa. A quem isso atinge? Apenas o ídolo? Respinga na Nike? Alguém deve ter feito esta conta e tomado este risco, mas é sempre possível ser surpreendido pelo criatividade das pessoas.

E corroborando um pouco a tese do Motomura exposta acima, a mesma empresa que investiu no comercial do Tiger Woods ganhou hoje destaque na primeira página dos jornais brasileiros, aí de forma inocente. Um político preso por dois meses e libertado ontem foi fotografado com uma camiseta onde o logo aparece muito claramente.

Com certeza não era esse o tipo de exposição gratuita a ser comemorada. Mas parece que neste caso brasileiro não há uma associação tão negativa, nem todos cuidam de suas marcas como a Amana, já no caso do golfista, os consumidores sabem que a empresa sabia e resolveu correr os riscos. Não tenho certezas, mas se fosse o presidente da Nike preferia que as cópias piratas e alteradas e toda essa discussão não tivessem acontecido. O velho ditado vale? Falem mal, mas falem de mim?

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