Não tenho nada contra a subjetividade, mas ela não pode valer bilhões…

Postado em: 18 de junho de 2010 - 9:26

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Quem já teve o prazer de visitar a Tate Modern em Londres deve ter passado pela sala dedicada ao pintor Mark Rothko. Se não o fez, na próxima não perca. Lá estão inclusive algumas obras, além da destacada acima, encomendadas para um restaurante em Nova York que não sei bem a razão, não deu certo, nobre destino. A obra de Rothko é de uma beleza grande, capaz de te colocar olhando para as sutilezas das cores, por minutos. Imagino que existam entendidos de arte que possam passar horas. É subjetivo, não fala direto com a razão humana.

Não tenho nada contra isso, quem leu meu livro Sonhar acordado lembra que falo de intuição, de ebulição interna como indicador de caminhos a tomar, não são coisas racionais. Mas nas paredes da Tate, de outros museus ou das casas, nada contra. O que acho complexo é no mundo dos negócios, ainda mais quando se trata de coisas subjetivas, neste formal universo, intangíveis.

Para ser mais claro, falo das marcas mais valiosas do Brasil. Três consultorias divulgaram os seus rankings nos últimos dias: BrandAnalytics, Brand Finance e Interbrand, utilizei o critério alfabético. Eu já havia notado a diferença, hoje o grande Clayton Netz fez a observação e ouviu os três presidentes. Uma das respostas foi componentes intangíveis: força da marca e projeção de lucro futuro. Mas o resultado não é expresso em bilhões? Existe algo menos subjetivo do que dinheiro?

Pelo menos elas “combinaram” que as marcas são as mesmas: Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Petrobrás. A questão é que cada uma aponta uma marca. Olhando de fora e sem avaliação formal, concluo que o Banco do Brasil deve valer mesmo 11 bilhões de reais (a divergência entre as consultorias não passa de 600 milhões de reais…). Já Bradesco, Itaú e Petrobrás tem uma divergência muito grande, espero que não sejam clientes dessas empresas.

Vejamos: a BrandAnalytics foi de Petrobrás e para ela, a petroleira vale 19,2 bi, 1,98 vezes Brand Finance e 1,78 vezes Interbrand.

A Brand Finance foi de Bradesco que para ela vale 23,1 bi, 1,56 vezes Brand Analytics e 1,88 vezes a Interbrand.

Esta por sua vez foi de Itaú, 20,6 bi, 1,56 vezes a Brand Analytics e 1,72 vezes a Brand Finance.

Já estão longe os meus tempos de doutorado em matemática, mas desconfio que não teria obtido o meu PhD se chegasse a resultados tão discrepantes quanto esses. Provavelmente eles se conhecem e já devem até ter trabalhado juntos, seria a hora de um encontro de concorrentes para o bem da credibilidade da metodologia?

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